01/08/2024 | Por: A Voz da Serra
“Na criança pequena com coqueluche é muito característico o surgimento de uma respiração semelhante a um guincho, uma falta de ar, um ruído respiratório” (Pexels)
A
ministra da Saúde, Nísia Trindade, reforçou nesta segunda-feira, 29, a
orientação para que grávidas e crianças sejam vacinadas contra a coqueluche. A
orientação foi dada após a confirmação da morte de um bebê de seis meses, em
Londrina, no Paraná, na última quinta-feira, 25. É o primeiro óbito causado
pela coqueluche no Brasil em três anos.
Segundo
a ministra, o caso “não liga um alerta”, mas reforça “uma vigilância permanente
em relação a qualquer agravo de saúde”. Nísia Trindade lamentou a morte do bebê
no Paraná. “É uma doença prevenível por vacina, por isso recomendamos
fortemente a vacinação”, orientou. “Estaremos acompanhando e trabalhando para
evitar novos casos”, completou a ministra, que participou, no Rio de Janeiro,
de um encontro sobre o enfrentamento global de novas pandemias.
O
Governo do Estado do Paraná também investiga se a morte de um bebê de três
meses, no município de Irati, no sudeste do estado, pode ser atribuída à
coqueluche. Até a primeira quinzena de junho, o estado tinha registrado 24
casos de coqueluche. Em todo o ano passado, foram 17. No Brasil, o último pico
epidêmico aconteceu em 2014, quando foram confirmados 8.614 casos. O país e o
mundo enfrentam aumento de casos.
A
doença da tosse comprida
Também
conhecida como “tosse comprida”, a coqueluche é uma doença infecciosa aguda
respiratória altamente contagiosa. A transmissão ocorre, principalmente, pelo
contato direto do doente com uma pessoa não vacinada por meio de gotículas
eliminadas por tosse, espirro ou até mesmo ao falar. Os principais sintomas são
febre, mal-estar, coriza e tosse seca, às vezes, intensa.
“Na
criança pequena com coqueluche é muito característico o surgimento de uma
respiração semelhante a um guincho, uma falta de ar, um ruído respiratório”,
explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato
Kfouri.
O
especialista conta que a doença atinge a todos, mas preocupa mais quando
acomete crianças pequenas. “A coqueluche tem a sua gravidade focada quase que
exclusivamente nas crianças pequenas, no bebê no primeiro ano de vida.
Justamente a idade em que ele ainda não completou o seu esquema vacinal.”
Segundo
Kfouri, no Brasil e no mundo, a doença costuma ter ondas de picos de
prevalência, que acontecem, geralmente, dentro de cinco a sete anos. Dessa vez,
o período ficou mais espaçado por causa da pandemia de covid-19, quando o
distanciamento social e medidas de proteção, como o uso de máscaras,
contribuíram para que houvesse menos infecções.
Ele
detalha que o surgimento de ondas acontece porque a infecção e a vacinação não
causam uma imunidade duradoura, fazendo com que, de tempos em tempos, haja mais
pessoas suscetíveis à infecção.
O
infectologista acrescenta como motivos do aumento recente no número de casos a
cobertura vacinal infantil não ideal e mutações na cepa da bactéria Bordetella
pertussis, causadora da doença.
Jornalista responsável:
Jornalista Adalmir Ferreira da Silva
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