15/06/2024 | Por: Agência Brasil
Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na quinta-feira (13), que o bem-estar da população está ligado aos compromissos de
preservação do meio ambiente e defendeu a relação entre capital e trabalho para
minimizar as desigualdades sociais. Lula discursou na sessão de encerramento do
fórum inaugural da Coalizão Global para a Justiça Social no âmbito da 112ª
Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na
Suíça.
Ao listar diversos problemas que precisam ser enfrentados para
melhorar a qualidade do trabalho no mundo, o brasileiro afirmou que a OIT é
ainda mais relevante diante dos desafios que existem hoje. O fórum é iniciativa
do diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, ao lado de quem Lula exercerá a
co-presidência da coalizão.
“Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza,
nem justiça na desigualdade. Por isso, aceitei o convite do diretor-geral
Gilbert para co-presidir a Coalizão Global para a Justiça Social. Ela será
instrumental para implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
O ODS 8 [Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8] sobre Trabalho Decente para
Todos não está avançando na velocidade e na escala necessárias para o
cumprimento de seus indicadores”, disse Lula, lembrando que “a informalidade, a
precarização e a pobreza são persistentes”.
“O número de pessoas em empregos informais saltou de
aproximadamente 1,7 bilhão, em 2005, para 2 bilhões neste ano. A renda do
trabalho segue em queda para os menos escolarizados. As novas gerações não
encontram espaço no mercado. Muitos não estudam, nem trabalham e há elevado
desalento. Quase 215 milhões, mais do que a população do Brasil, vivem em
extrema pobreza, mesmo estando empregados. As desigualdades de gênero, raça,
orientação sexual e origem geográfica são agravantes desse cenário”, destacou.
Para Lula, a relação entre capital e trabalho é importante para
minimizar as desigualdades sociais. “Recuperar o papel do Estado como
planejador do desenvolvimento é uma tarefa urgente. A mão invisível do mercado
só agrava desigualdades. O crescimento da produtividade não tem sido
acompanhado pelo aumento dos salários, gerando insatisfação e muita
polarização. Não se pode discutir economia e finanças sem discutir emprego e
renda. Precisamos de uma nova globalização, uma globalização de face humana”,
disse.
O presidente defendeu a taxação dos super-ricos e lembrou que a
justiça social e a luta contra as desigualdades são prioridades da presidência
do Brasil no G20, grupo das 20 maiores economias do mundo. “Estamos discutindo
como promover uma transição justa e utilizar as tecnologias emergentes para
melhorar o universo laboral. Nossa iniciativa prioritária, a Aliança Global
contra a Fome e a Pobreza, busca acelerar os esforços para eliminar essas
chagas. O Brasil está impulsionando a proposta de taxação dos super-ricos nos
debates do G20”, afirmou.
“Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de
3 mil pessoas que detêm quase US$ 15 trilhões em patrimônio. Isso representa a
soma das riquezas do Japão, da Alemanha, da Índia e do Reino Unido. É mais do
que se estima ser necessário para os países em desenvolvimento lidarem com a
mudança climática. A concentração de renda é tão absurda que alguns indivíduos
possuem seus próprios programas espaciais. Não precisamos buscar soluções em
Marte. É a Terra que precisa do nosso cuidado”, acrescentou o presidente, em
referência ao bilionário Elon Musk, dono da empresa de exploração espacial
Space X.
Lula ainda lembrou que o bem-estar dos cidadãos está diretamente
ligado ao compromisso, “que deve ser de todos”, com a preservação do meio
ambiente. Para o presidente, o enfrentamento das mudanças climáticas deve ter o
foco na transição energética na promoção do desenvolvimento sustentável em suas
dimensões econômica, social e ambiental.
“As florestas tropicais não são santuários para o deleite da
elite global, tampouco podem ser tratadas como depósitos de riquezas a serem
exportadas. Debaixo de cada árvore vivem trabalhadoras e trabalhadores que
precisam de emprego e renda. A sociobioeconomia, a industrialização verde e as
energias renováveis são grandes oportunidades para ampliar o bem-estar coletivo
e efetivar a transição justa que defendemos”, disse Lula, destacando ainda que
a transição ecológica deve ser pensada junto com a transição digital.
“Ações e políticas voltadas para o desenvolvimento de
habilidades digitais e sustentáveis serão fundamentais em uma economia global
cada vez mais descarbonizada e intensiva em tecnologia [...]. A inteligência
artificial transformará radicalmente nosso modo de vida. Teremos que atuar para
que seus benefícios cheguem a todos e não apenas aos mesmos países que sempre
ficam com a parte melhor. Do contrário, tenderá a reforçar vieses e hierarquias
geopolíticas, culturais, sociais e de gênero”, afirmou.
Por fim, o presidente destacou a importância do lançamento da
coalizão e voltou a defender a participação mais igualitária dos países em
desenvolvimento nos organismos de governança global.
“A coalizão que estamos lançando hoje será uma ferramenta
central para construir uma transição com justiça social, trabalho decente e
igualdade. Isso será particularmente importante neste contexto de transição
para uma ordem multipolar, que exigirá mudanças profundas nas instituições. Por
isso o Brasil vai trabalhar pela ratificação da Emenda de 1986 à Constituição
da OIT, que propõe eliminar os assentos permanentes dos países mais
industrializados no conselho da organização”, disse.
“Não faz sentido apelar aos países em desenvolvimento para que
contribuam para a resolução das crises que o mundo enfrenta hoje sem que
estejam adequadamente representados nos principais órgãos de governança global.
Nossas decisões só terão legitimidade e eficácia se tomadas e implementadas
democraticamente”, acrescentou o presidente.
Lançada no ano passado, a Coalizão Global pela Justiça Social já
conta com mais de 250 membros, incluindo governos, organizações de
trabalhadores e empregadores, organizações multilaterais e nacionais e
instituições financeiras, organizações acadêmicas e organizações não
governamentais internacionais.
A Conferência Internacional do Trabalho é a reunião anual dos
187 Estados-membros da OIT e, neste ano, ocorre de 3 a 14 de junho.
A delegação brasileira conta com integrantes do Executivo, Legislativo e
Judiciário, além de representantes da sociedade civil e de sindicatos ligados a
trabalhadores e a empresas. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, juntou-se a
eles na segunda-feira (10).
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